
No âmbito do World Governments Summit (WGS), realizado no Dubai, Emirados Árabes Unidos, de 12 a 14 de fevereiro de 2024, a Emirates News Agency (WAM) organizou uma mesa-redonda subordinada ao tema «Moldar narrativas económicas: o papel das agências de notícias». https://wam.ae/a/b1mleh0
Na ocasião, o Diretor-Geral da União Africana de Radiodifusão (UAR), Grégoire Ndjaka, sublinhou a necessidade de reforçar as capacidades atuais das agências de notícias e a sua preparação para cobrir e interagir com setores económicos emergentes como a energia verde, as criptomoedas e as indústrias baseadas em Inteligência Artificial.
Caros membros do painel,
É com grande satisfação que me dirijo a este encontro de responsáveis governamentais, organizações internacionais, líderes de pensamento e dirigentes do setor privado de todo o mundo, reunidos nesta bela cidade do Dubai para o World Governments Summit 2024, sob o tema «Moldar os Governos do Futuro».
Ao debatermos estas áreas prioritárias, gostaria que refletíssemos sobre uma questão essencial: enquanto representantes das esperanças, aspirações e interesses das populações, como podem as discussões e decisões tomadas neste auditório chegar à maioria das pessoas em nome das quais aqui estamos?
A resposta simples é: através dos media.
A mesa-redonda evidencia a importância dos media em todo o debate sobre o desenvolvimento. Mostra a capacidade dos meios de comunicação para irem além da simples transmissão de informação, mobilizando as populações para participarem ativamente na procura de soluções para os desafios económicos e no aproveitamento das oportunidades de desenvolvimento.
AS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS COMO BÚSSOLA DO MUNDO
Antes da Internet, as agências de notícias eram fontes fiáveis que forneciam aos jornais e aos governos informação sobre uma grande variedade de acontecimentos em todo o mundo.
Fundada em 1835 com o nome HAVAS, a Agence France-Presse (AFP) é a mais antiga agência de notícias do mundo e mantém uma reputação de integridade e independência. Seguiram-se a Associated Press, nos Estados Unidos, em 1846, a Reuters, no Reino Unido, em 1851, e a agência telegráfica soviética TASS, em 1925.
Senhoras e Senhores,
Antes de 1960, as agências ocidentais detinham praticamente o monopólio da gestão da informação. Quase 80% dos conteúdos que circulavam no mundo provinham das grandes agências internacionais, enquanto apenas 20 a 30% eram dedicados aos países em desenvolvimento. Isto criou um forte desequilíbrio no acesso à informação.
DESEQUILÍBRIO NO ACESSO À INFORMAÇÃO NO SUL GLOBAL
Através do enquadramento das notícias e de escolhas editoriais deliberadas, as agências internacionais reduziram muitas vezes o Sul global, e África em particular, a narrativas negativas centradas na pobreza, fome, corrupção, insegurança, conflitos e modos de vida considerados rudimentares. As histórias positivas sobre países africanos raramente alcançavam a mesma visibilidade.
Em 1962, África avaliou o seu atraso no domínio da informação. Após a criação da Organização da Unidade Africana (OUA) em 1963, especialistas africanos, com o apoio da UNESCO, estabeleceram em Tunes a União das Agências de Notícias Africanas (UANA).
Em dezembro de 1963, a UANA realizou a sua primeira Assembleia Geral em Argel. Durante mais de uma década trabalhou em colaboração com a URTNA, antecessora da atual UAR, antes de evoluir para a Agência Pan-Africana de Notícias.

RESPONSABILIDADES DA UAR
Apesar destes avanços, os africanos continuavam a precisar de mais sons e imagens para contar a sua própria história. A compreensão de que as agências de notícias e os media em geral desempenham um papel decisivo na construção das economias do futuro, dentro do contexto específico do continente africano, orienta as operações da União Africana de Radiodifusão.
O CENTRO DE INTERCÂMBIO DE CONTEÚDOS DA UAR
Para cumprir esta missão, a UAR criou na Argélia um centro de intercâmbio de conteúdos destinado a promover uma África que funcione como catalisador da integração africana.
O centro opera a AUBVision, uma plataforma de intercâmbio de notícias e programas concebida para combater estereótipos sobre África e projetar a imagem de um continente em movimento e voltado para o futuro.
AUBVISION, UMA RESPOSTA CONCRETA
AUBVISION reúne organismos africanos de radiodifusão e parceiros para contribuir para a melhoria da qualidade de vida e para uma representação mais fiel do continente. A iniciativa ilustra a importância atribuída às agências de notícias na criação de espaços de comunicação positivos capazes de contribuir para as economias de amanhã, apoiadas na juventude africana, nos recursos naturais e numa economia criativa em crescimento.
O Centro de Intercâmbio de Conteúdos da UAR presta serviços em inglês, francês, português e árabe às redações africanas, fornecendo informação política e económica, cobertura de grandes eventos desportivos, campeonatos locais e atividades culturais como festivais, música, dança, turismo e entretenimento. https://aws2.aubvision.com/

MOLDAR O FUTURO
Nos próximos 10 a 20 anos, várias tendências transformarão o mundo. Entre elas está a Inteligência Artificial generativa, uma força com potencial para revolucionar a tecnologia. Da regulamentação e do desenho ético aos casos de utilização com impacto global, este domínio oferece um enorme valor para governos e organizações.
A UAR reconhece esta força transformadora, o seu potencial revolucionário e as questões regulatórias e éticas associadas ao seu desenvolvimento. Por essa razão, a UAR anunciou a organização de uma Cimeira sobre Inteligência Artificial e Media, destinada a promover uma utilização responsável da IA no espaço mediático africano.
CONCLUSÃO
Para concluir, solicito o vosso apoio e convido Vossas Excelências, Senhoras e Senhores, a Yaoundé, Camarões, de 4 a 6 de março, para esta cimeira concebida para radiodifusores de todo o continente africano e parceiros de outras regiões do mundo.
Agradeço a vossa atenção.
Emirados Árabes Unidos, Dubai, fevereiro de 2024
UAR-AUB
Sobre o mesmo tema: World Governments Summit 2024: WAM organised roundtable on future of business media



